Quando Tudo Permanece Igual
Por que, Senhor? Por quê? Por que o Senhor não me responde? Por que os anos passaram, e tudo permanece igual? O Senhor se esqueceu de mim? Essas são perguntas que frequentemente nascem de um coração cansado. Quando esperamos, temos esperança e oramos por tanto tempo, apenas para nos encontrarmos diante das mesmas decepções, somos frequentemente tentados a enxergar nosso sofrimento como um sinal do castigo ou da rejeição de Deus.
Nem todo sofrimento é sinal de castigo ou da desaprovação de Deus. O apóstolo Paulo passou por grande sofrimento. Ainda assim, nada disso significava que Deus o havia abandonado ou que Paulo tivesse feito algo errado. Pelo contrário, Paulo era profundamente amado pelo Senhor. O Senhor nunca nos prometeu uma vida sem dor, ele inclusive falou "No mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". O sofrimento nem sempre é evidência de juízo, rejeição ou disciplina divina; muitas vezes, ele faz parte da própria jornada daqueles que seguem a Cristo. A vida de Paulo mostra que alguém pode estar exatamente no centro da vontade de Deus e, ainda assim, atravessar períodos de intenso sofrimento.
Como continuar caminhando quando aquilo que mais ansiamos parece nunca chegar? Como permanecer firme enquanto os anos passam e a bênção tão esperada continua distante? Falar sobre isso não é simples. Sabemos que Deus é bom. Sabemos que Ele cura, restaura, consola e realiza maravilhas. As Escrituras estão repletas de testemunhos da Sua bondade. Por isso, é natural que o nosso coração espere pela resposta, pela restauração, pelo milagre. Mas a fé cristã também precisa lidar com uma possibilidade desconfortável: e se Deus, em Sua sabedoria, não conceder aquilo que mais desejamos? E se a resposta for diferente da que imaginávamos? O que sustenta a nossa fé quando a bênção demora, ou quando ela simplesmente não vem?
Deus continua sendo digno do nosso amor mesmo quando não recebemos o que desejamos. Porque, no fim, a maior dádiva do evangelho nunca foi a cura, o casamento, o ministério ou qualquer outra bênção terrena. A maior dádiva sempre foi o próprio Deus. As bênçãos são boas, mas são passageiras; Ele é eterno. E há uma beleza singular em um coração que aprende, ainda entre lágrimas, a dizer: "Senhor, eu continuo desejando essas coisas, continuo orando por elas e continuo esperando em Ti; mas, acima de tudo, eu quero a Ti." Pois a maturidade da fé não consiste em amar a Deus apenas por aquilo que Ele pode dar, mas em descobrir que Ele, por Si mesmo, já é infinitamente precioso.
Há um grande consolo nisso, pois quando derramamos nossa dor diante de Deus, não estamos falando com alguém distante ou indiferente. Estamos falando com um Deus que sabe. Um Deus que conhece a rejeição, a tristeza, a angústia e o sofrimento. Jesus chorou, foi traído, açoitado, desprezado pelos homens e, no Getsêmani, orou: "Pai, se possível, afasta de mim este cálice". Ele conhece a aflição não apenas por observação, mas por experiência.
Quando clamamos a Deus em meio às lágrimas, somos ouvidos por alguém que verdadeiramente entende o peso da dor. Mais do que ninguém, Ele sabe. Ele vê cada lágrima, cada oração silenciosa, cada noite de angústia e cada esperança frustrada. Nada do que sentimos lhe é estranho. Não estamos explicando nossa dor a alguém incapaz de compreendê-la; estamos nos derramando diante de um Deus que entrou na própria história humana, sofreu entre nós e conhece profundamente o que é padecer.
A parábola do rico e de Lázaro nos lembra de uma verdade que facilmente esquecemos em meio ao sofrimento: a realidade presente não é a realidade final. Durante sua vida, Lázaro só conheceu a escassez, a dor e a humilhação. Comia das migalhas que caíam da mesa do rico, enquanto os cães vinham lamber suas feridas. O sofrimento atual, por mais intenso que pareça, é temporário. Há um dia em que Deus enxugará dos olhos toda lágrima. Quando Lázaro morre, a Bíblia diz que ele é levado pelos anjos para o seio de Abraão. Em um instante, aquele que só conhecia o desprezo é acolhido no lugar de honra e consolo. Há um dia em que toda injustiça será corrigida, toda ferida será curada e toda espera encontrará seu fim. A esperança cristã não está limitada ao que acontece entre o nascimento e a morte.
Mesmo quando não entendemos, podemos descansar na certeza de que somos vistos, conhecidos e amados por Aquele que carregou sobre si as dores do mundo. Ele sabe. Ele entende. E Ele permanece conosco. Possuímos um tesouro que sofrimento algum pode tirar. Sua graça nos basta. Sua presença nos sustenta. E, no fim, Ele próprio é o maior bem do cristão. Para aqueles que pertencem a Cristo, a dor não tem a palavra final.